
“O ato falho denuncia desejos que estão em nossa mente, porém ainda não passaram para o plano consciente”
Procurei buscar respostas ao que estava acontecendo. Por que estava em diversas situações falando, agindo ou entregando uma série de coisas que talvez nem eu mesma soubesse que existia, ou queria. Por exemplo, essa semana eu estava no caminho da faculdade, quando dei por mim já tinha passado dela alguns quilômetros... e o porquê isso aconteceu? Fato! Eu não estava com vontade alguma de entrar naquele ambiente e me deixei levar por alguns instantes pelo meu inconsciente. Um autoboicote.
Freud (1856-1939), percebeu a importância dessas ações e as chamou de atos falhos, ou seja, atitudes inconscientes que acontecem em nosso dia-a-dia. Quase tudo, realmente, Freud explica...
Se você já assistiu O Diário de Bridget Jones nota que o sucesso do filme vem justamente por brincar e dar um tom espirituoso às neuroses e auto-sabotagens de sua heroína: uma mulher de 30 anos que, enquanto conta calorias, procura um namorado legal e tenta parar de beber e fumar. Quem não se identifica com a listinha de resoluções de Bridget para melhorar sua qualidade de vida? Ali está, por exemplo, “não vou me interessar por nenhum dos seguintes tipos: alcoólatra, workaholic, homem com horror a compromissos, os que têm mulheres...” ou “vou sair da cama assim que acordar, ser mais segura, ser mais firme...” Será que ela conseguirá atingir seus objetivos ou procurará subterfúgios para se sentir melhor? Irá se auto-enganar?
Torna-se aceitável as teorias de que sem as mentiras que contamos a nós mesmos, a vida seria muito dura e sem encanto. Até que ponto pode chegar um homem na dissimulação interna e no auto-engano necessários para apaziguar a mente e garantir uma convivência harmoniosa consigo mesmo?
O auto-engano só será completo e perfeito quando for um ato não planejado. Por isso, basta ficar atento aos resfriados, esquecimentos, atrasos, namorados problemáticos...